O Dia das Crianças, os presentes e o consumo

Com a proximidade do Dia das Crianças, muitos pais lotam lojas e shoppings a procura de presentes para seus filhos. Muitos, com a consciência ‘pesada’ por não terem tempo para seus filhos fazem desta atitude um hábito. Outros compram todas as últimas novidades disponíveis no mercado porque acreditam que nada pode faltar as suas crianças. E, tem aqueles, que não tiveram muitas condições quando pequenos e não querem que seus filhos passem pelas mesmas privações.

Todos os atos têm sua justificativa. Porém, é preciso uma reflexão mais profunda, para pensarmos quais são as consequências dessas atitudes consumistas para a formação das nossas crianças e adolescentes. No tempo em que éramos crianças, ao menos para os adultos com mais de 30 anos, nossos pais também não tinham muito tempo nós. Raramente, o pai reservava um momento só para conversar com a criança ou para brincar no parque, de carrinho e de bicicleta. Essas coisas, nós vivenciávamos com os amigos e vizinhos. O pai, quando nos chamava para conversar, invariavelmente era porque havíamos ‘aprontado alguma’, depois da mãe ter nos avisado várias vezes que contaria para ele.

As mães, em sua maioria, não trabalhavam fora, mas muitas precisavam cuidar sozinhas das crianças, cozinhar e ainda fazer artesanato, costura, bolachas e pães como forma de ajudar no sustento da família. Ou seja, naquele tempo, a mãe também não tinha tempo para brincar de boneca, carrinho ou outra atividade com os filhos. No máximo, elas acompanhavam a lição de casa e depois deixavam as crianças livres para brincar.

Então, por que tamanho peso na consciência dos pais de hoje? Presentear os filhos a cada data comemorativa não é errado, mas precisamos lembrar que o principal é ensinar os limites, dar afeto, carinho e pensar na formação humana. Senão, quando estas crianças aprenderão a valorizar o mundo em que vivem, se eles têm o que querem a toda hora? Existe uma máxima antiga que diz: “Quem não valoriza o pouco, não merece o muito”. Nós, que somos pais, precisamos refletir mais: será que não estamos ensinando nossos filhos a pensar que o único sentido da vida é comprar?

Evidentemente não sou contra presentes, mas precisamos ajudar nossas crianças e adolescentes a crescerem e se desenvolverem. E, resistir a pressão desse mundo capitalista não é fácil, afinal temos ainda os avós, tios e padrinhos que, invariavelmente, compram presentes para as crianças.  Mesmo assim, defendo que devemos refletir sobre a real necessidade daquele presente. No ato da compra, lembrar da quantidade de lixo que geramos a partir das embalagens da nova aquisição; refletir se é o momento certo de presentear com algo novo, ou se naquele momento uma conversa, um carinho e um momento em família podem valer como um verdadeiro presente.  No mínimo, neste Dia das Crianças, se for comprar um brinquedo novo, faça uma reciclagem dos antigos e compartilhe uma regra com seu filho: a cada novo brinquedo, um antigo será doado a quem não tem.

Ademar Batista Pereira – presidente do Sindicato das Escolas Particulares – Sinepe/PR.

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