{"id":345,"date":"2019-06-07T02:46:30","date_gmt":"2019-06-07T02:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/esominhaopiniao.com.br\/?p=345"},"modified":"2019-06-07T02:46:30","modified_gmt":"2019-06-07T02:46:30","slug":"um-pais-e-como-uma-orquestra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/esominhaopiniao.com.br\/?p=345","title":{"rendered":"Um Pa\u00eds \u00e9 como uma orquestra!"},"content":{"rendered":"<p>Em meados de maio de 2019 tive a oportunidade de visitar algumas escolas e universidades israelenses, onde pude conhecer um pouco do sistema educacional daquele que \u00e9 considerado o pa\u00eds das startups. A conclus\u00e3o que cheguei \u00e9 de que apesar de ter pouco mais de 70 anos de independ\u00eancia, Israel t\u00eam muito a nos ensinar no campo educacional, dentre outras \u00e1reas.<!--more--><\/p>\n<p>Voltando para a realidade brasileira, a verdade \u00e9 que nos deparamos com uma realidade bastante diferente, principalmente na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o. Recentemente, em uma de suas queixas contra a velha pol\u00edtica brasileira, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil \u00e9 um \u201cPa\u00eds ingovern\u00e1vel sem conchavos pol\u00edticos\u201d. A conclus\u00e3o do presidente, que certamente j\u00e1 foi alcan\u00e7ada por governantes anteriores, me fez refletir e tentar compreender o que nos leva a esta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com isso, recorri a outra cita\u00e7\u00e3o, desta vez de autoria do Frei Arturo Vasaturo: \u201cUm pa\u00eds \u00e9 como uma orquestra, cada um t\u00eam que tocar bem seu instrumento, o estado deve ser o maestro. Mas se n\u00e3o tocamos bem nosso instrumento, precisamos treinar mais, ou n\u00e3o podemos fazer parte da orquestra\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vejamos: Se olharmos para o pa\u00eds como uma orquestra, todos n\u00f3s brasileiros em nossas atividades e responsabilidades di\u00e1rias, tocamos algum instrumento. E se o fazemos, devemos sempre procurar faz\u00ea-lo cada vez melhor para quem? Para o chefe, se tiver algu\u00e9m olhando? Para o fiscal?<\/p>\n<p>Se formos refletir profundamente, todos deixamos a desejar em algum aspecto nas nossas atividades e ser\u00e1 que buscamos nos aprimorar diariamente naquilo que fazemos? At\u00e9 que ponto n\u00e3o colocamos a culpa em algu\u00e9m pelas coisas que n\u00e3o sa\u00edram como planejado?<\/p>\n<p>Isso vale tamb\u00e9m para as nossas institui\u00e7\u00f5es, imprensa, escolas, lideran\u00e7as empresariais e pol\u00edticas, dentre outras. Precisamos tocar bem nossos instrumentos, fazer bem feito o que temos que fazer, como pa\u00eds, filhos, educadores, empres\u00e1rios, profissionais liberais, comerciantes, pol\u00edticos, enfim, cada um tem o seu papel.<\/p>\n<p>Se um pa\u00eds precisa funcionar como uma orquestra, precisamos de todos os m\u00fasicos, independente do instrumento que toque, mas precisamos cada vez mais de grandes m\u00fasicos, especialistas em seus instrumentos, m\u00fasicos que busquem se aprimorar, que estejam conectados com as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, cada vez mais presentes em nossas vidas. Devemos fazer isso, principalmente porque queremos que a m\u00fasica tocada por todos n\u00e3o seja ruim, justamente porque n\u00e3o fa\u00e7o direito o meu trabalho. Todos devem concordar, qualquer instrumento mal tocado acabar\u00e1 prejudicando a qualidade do som e harmonia da orquestra como um todo.<\/p>\n<p>Por outro lado, em um pa\u00eds como o Brasil, que escolhe democraticamente os seus maestros, os nossos governantes eleitos s\u00e3o ou devem agir como maestros, e nesse caso, precisamos entender o que cabe ao maestro.<\/p>\n<p>Cabe ao maestro orientar e definir qual musica ser\u00e1 tocada, a distribui\u00e7\u00e3o dos instrumentos que ser\u00e3o executados, o momento que cada componente da banda dar\u00e1 sua contribui\u00e7\u00e3o, qual tom dever\u00e1 ser entoado para que a melodia seja a melhor poss\u00edvel, ou seja, cabe a ele gerenciar o trabalho da orquestra.<\/p>\n<p>Por outro lado, quero crer que n\u00e3o cabe ao maestro definir quais instrumentos participar\u00e3o do concerto, uma vez que essa pluralidade \u00e9 a ess\u00eancia de uma orquestra. Ou seja, quando ele assumiu a orquestra, os instrumentistas j\u00e1 existiam, cada um exercendo o seu papel. Sendo assim, somente restar\u00e1 ao maestro orient\u00e1-los para que a apresenta\u00e7\u00e3o seja a melhor poss\u00edvel, e n\u00e3o exclu\u00ed-los da banda.<\/p>\n<p>Com essa met\u00e1fora, podemos entender claramente o momento atual que vivemos no Brasil. De um lado temos os m\u00fasicos, que devem estar dispostos a tocar o melhor poss\u00edvel os seus instrumentos, podendo inclusive fazer os ajustes necess\u00e1rios para o melhor funcionamento do equipamento. Do outro, temos o maestro que precisa rapidamente definir qual m\u00fasica ser\u00e1 tocada, comunicando a todos seus objetivos de forma clara e concisa.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m esperado que ele compreenda que n\u00e3o foi eleito dono da orquestra, mas sim gerenciador da mesma. Assim, precisa dar o seu melhor e acolher e gerenciar todos os instrumentos da orquestra, respeitando a especialidade e a individualidade de cada m\u00fasico e de cada instrumento.<\/p>\n<p>Neste momento, temos muito o que aprender e treinar, para que nossa orquestra chamada Brasil, alcance realmente um som afinado e possa ser devidamente aplaudida pela m\u00fasica executada.<\/p>\n<p><em><strong>Ademar Batista Pereira<\/strong> \u00e9 Presidente da FENEP &#8211; Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Escolas Particulares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados de maio de 2019 tive a oportunidade de visitar algumas escolas e universidades israelenses, onde pude conhecer um pouco do sistema educacional daquele que \u00e9 considerado o pa\u00eds das startups. 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