A escola integral como meio de afastar as drogas da sociedade

Podemos dizer que a busca pelo prazer através de artifícios é da natureza humana. Em todas as civilizações que temos conhecimento constatamos algum tipo de envolvimento com drogas, seja álcool, tabaco ou outras derivadas de plantas e animais, e dependendo da cultura em maior ou menor intensidade. Ocorre que nos tempos atuais o desenvolvimento de novas toxinas tornou-se maior devido aos avanços da ciência. Novas drogas são usadas pela sociedade que está em busca de prazer imediato, ou disposta a fugir da dor, ou do risco da dor.Ao dar este passo e fazer a escolha pela droga é importante lembrar que são poucos os que conseguem deixar o vício. Mas, afinal, por que temos tantos jovens usuários de drogas no Brasil?

Desde que a família se tornou urbana, muitas mulheres também ingressaram no mercado de trabalho, seja para ajudar no sustento da casa e da família, seja em busca de realização profissional. Com pais ocupados com seus trabalhos, os filhos quando pequenos passaram a ser cuidados por babás, familiares ou creches e berçários. Ao iniciar o Ensino Fundamental, a maioria destas crianças passa a frequentar a escola em meio período. Ela fica um turno na escola, e outro em casa, na rua, no condomínio e, normalmente, convivendo com amigos de todas as idades. Nesta fase é comum vermos crianças de 7 anos convivendo com adolescentes de 17, por exemplo.

Para algumas dessas crianças verificamos que a realidade começa a se tornar um tanto cinza a partir do momento que ela completa 10 anos. Já considerada uma pré-adolescente e quase 50% semialfabetizada, muitas não conseguem acompanhar a escola, pois na 5a série é preciso saber ler e interpretar. Com problemas, algumas começam a ir mal na escola e os interesses mudam de direção. Com muita liberdade, estes pré-adolescentes com tempo livre costumam sair sozinho, começam a faltar as aulas, ou ficam com grupo de “amigos” no chamado contra-turno.

É nesta fase que, independente da classe social, eles desejam ter tênis e roupas de marca que estão na moda, celular e computador do último modelo do mercado e por aí vai. Para os pais fica difícil (às vezes quase impossível) comprar todas estas novidades para seus filhos, e como não existe no mundo formal condições para um adolescente de 14 anos ganhar dinheiro honestamente, a “opção” que acaba sobrando para alguns são os pequenos delitos, furtos, desvios. É nesse momento que o traficante tem entrada nestes grupos de adolescentes. É ele quem oferta a “cura” para as dores, a diversão, o prazer imediato. Estimulado pelo grupo de “amigos”, alguns adolescentes acabam entrando para o caminho das drogas.

O que mais desanima nesta história é que não vemos nenhum governo, municipal, estadual ou federal, pensando em como quebrar esse círculo. A solução passa por rediscutir o modelo social com uma escola que atenda a essas famílias. Precisamos ter escolas do Ensino Fundamental ao Médio que funcione das 7h as 19h, como o que ocorre na maioria dos países em que a educação escolar faz o seu papel e afasta os jovens do submundo. Escolas que ensinem além de matemática, línguas, ciências, e outras disciplinas formais, os fundamentos de profissões importantes, como panificação, marcenaria, computação, eletricidade, etc. Com uma escola nesse modelo, não sobrará tempo para os nossos jovens ficarem na rua, rodeados de más influências e com tempo ocioso para besteiras. Ocupando nossos estudantes de forma prática e inteligente estaremos apostando em um novo formato de sociedade. Particularmente, não acredito em conscientização. Se resolvesse o problema, ninguém fumava, pois acredito que não existe quem não saiba que cigarro faz mal, mas acreditam que o prazer vai compensar a dor, e não é diferente para as outras drogas.

Ademar Batista Pereira – autor do livro Filhos na Escola Integral: considere esta opção na sua família. É diretor da Escola Atuação que oferece ensino integral e regular há 25 anos em Curitiba.

 

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