Os partidos políticos e a aparente des(organização)

Os partidos políticos não são desorganizados, eles são organizados de maneira a manter no poder sempre os mesmos, e isso faz toda a diferença.

Um partido político deveria ter em sua base os filiados, as assembleias ou convenções, e ter claro como isso se dá, mas não é dessa forma que ocorre na prática. Geralmente, as discussões e resoluções dos partidos são definidas entre alguns, cinco ou seis membros, pois pela lei dos partidos é necessário ter sete pessoas para fundar nacionalmente, e sete em cada executiva provisória estadual, e, a partir daí, as coisas são organizadas da seguinte maneira: seleciona-se cinco pessoas da família, ou que nada querem com política e seguem a linha do criador e mais dois agregados, e funda-se o partido nacionalmente.Em seguida, seleciona-se em cada estado cinco pessoas que devem se comprometer com o criador. Em caso de rebelião, o criador, por resolução da nacional, simplesmente, fecha a executiva provisória estadual. Mas o que ganha o líder ou criador estadual? O controle livre sobre as municipais. Assim, este líder procura nos municípios pessoas que queiram fazer o mesmo jogo. São donos nos municípios para fazer os “acertos”, desde que sigam e se mantenham na cartilha do seu criador, ou seja, a executiva provisória estadual.

A partir daí, o que vemos é um grande jogo de faz de conta. A executiva nacional faz os “acertos” com o governo, apoia a base, vende o horário de tv, um comodite bem valioso, e acerta alguns cargos no governo central, o que o atual governo chama de coalizão para governar. As executivas provisórias estaduais e municipais podem ter alguma liberdade, desde que busquem eleger deputados federais, pois conforme cresce o número de deputados federais e senadores, aumenta a conta do governo para o “acerto”, e vêm mais e mais benefícios, pois aumenta o fundo partidário, os cargos nos governos federais, estaduais.

E, quais são as funções desses cargos? Basicamente duas: aumentar a receita dos partidos, pois cada cargo em geral deve pagar uma parte do seu salário ao partido e para quem tem mandato. Existem pessoas pagas pelo dinheiro público para fazer “campanha” o ano todo, ou fazer pequenos favores, como levar os eleitores ao médico, conseguir uma consulta, um internamento, em nome do deputado. E assim se mantém os mesmos políticos, pois neste ciclo é preciso estrutura e pessoas trabalhando e sendo pagas pelo dinheiro do povo.

No Brasil, temos mais de 30 partidos e temos uma lei facilita a formação e organização dos mesmos e para ser organizado um partido deve ter um estatuto, estar presente nacionalmente e em 9 estados, além de 500 mil assinaturas de eleitores para de fato existir. Esta é uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral – TSE (outra aberração brasileira),Caso não tivesse essa determinação, hoje teríamos muito mais “democracia”, pois seguramente  teríamos centenas ou até milhares de partidos, já que cada um dos brasileiros poderia montar o seu. Claro, precisaria de mais alguns aparatos e pessoas envolvidas, mas como percebemos, no geral, os membros da própria família já “resolvem”, inclusive, temos muitos exemplos, mesmo com a necessidade de 500 mil assinaturas.

Para resolver de fato a questão da organização dos partidos políticos no Brasil, a única forma seria criar outra lei baseada em um modelo de baixo para cima, ou seja, das municipais com convenção direta para eleger a executiva municipal; as municipais elegeriam a estadual e as estaduais elegeriam a federal, porém, quem faz a lei são os próprios deputados!

Ademar Batista Pereira – presidente da FEPEsul (Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino da Região Sul), membro da Executiva Estadual do PV e articulista do site www.esominhaopiniao.com.br.

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