A burocracia e o impacto ambiental nas cidades

Quanto maior a cidade, piores são as dificuldades enfrentadas para nos locomovermos de carro. Atualmente, não é apenas nos horários de pico que temos problemas. É trânsito e muito congestionamento a qualquer hora do dia. São estacionamentos lotados, falta de vagas nas ruas, inclusive nas proximidades de órgãos e  repartições públicas. Nestes casos, percebemos alguns exemplos da falta de planejamento e, até mesmo, visão ambiental dos burocratas de plantão.

Para renovar a carteira de motorista, por exemplo, é preciso ir ao Detran para agendar testes em clínicas conveniadas. Os testes são marcados em dias diferentes e pelo sistema do Detran não é possível escolher uma localidade próxima ao seu trabalho ou sua residência. Então, quem mora no Boqueirão precisa deslocar-se até Santa Felicidade para fazer os tais exames, gastando combustível, aumentando o trânsito e poluindo ainda mais o ar da nossa capital ecológica.

Outro caso em que a burocracia ultrapassa os limites do bom senso: para aprovação de um projeto de construção. A ‘guia amarela’  pode ser retirada pela internet, mas, para dar entrada e tramitar o projeto, é preciso levá-lo a diversos setores da prefeitura, que ficam em diferentes pontos da cidade, além da necessidade de retornar diversas vezes a estes setores para correções pontuais, como substituição de letras, palavras, etc.

Em relação à vigilância sanitária, a burocracia continua. Você precisa pegar uma guia, dar entrada no processo em uma Rua da Cidadania e, após alguns dias, os fiscais irão na empresa, sempre com veículo próprio, para fazer a vistoria. Depois de um tempo, retornam com o laudo que contém as diversas adaptações sempre ‘necessárias’. Com tudo resolvido, dá-se a entrada novamente na solicitação, para em alguns dias os fiscais retornarem à empresa.

Para citar mais um, tem a liberação do Habite-se. Após concluída uma obra, você precisa dar entrada no processo com os diversos documentos de conclusão e, para liberação, a prefeitura envia suas equipes de fiscais de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Setran, Urbanismo, etc. Considerando que não é liberado na primeira vez, são necessárias diversas visitas, em diversos veículos, até a liberação final.

Todos esses processos, com um pouco de bom senso, poderiam ser limitados a uma visita. Precisamos urgentemente que o poder público situe-se no mundo real, da produção, do não-desperdício, o mundo da sustentabilidade. A visão simplista que os governos usam para exigir uma infinidade de vistos, papéis e pareceres, sem considerar o custo para as empresas, para as pessoas, para o Brasil e para o meio ambiente prejudica ainda mais o já tão castigado mundo urbano.

Ademar Batista Pereira – Presidente do Sindicato
das Escolas Particulares – Sinepe/PR.

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