Drogas, é preciso prevenir

Em todas as civilizações que temos conhecimento constatamos, com maior ou menor intensidade, algum tipo de envolvimento com drogas seja álcool, tabaco e outros derivados. A busca pelo prazer através de artifícios faz parte da natureza humana.

Hoje, com a vida em sociedade cada vez mais precarizada e cheia de pressões percebemos o comportamento humano voltado para o agora e para a busca de prazer a qualquer preço. Com isso, o mundo das drogas funciona como uma “solução imediata”.

Em meio a este contexto social, não deveríamos nos assustar com a busca pelo prazer, pois se trata de uma defesa do organismo. Sabemos que o contrário ao prazer é a dor e jamais vamos em busca dela. Podemos correr o risco de sentir dor, porém por defesa pessoal o melhor é afastá-la em qualquer circunstância. Ai entra o poder das drogas e consequentemente do vício.

A situação é difícil, mas talvez compreensível em alguns pontos, afinal hoje temos uma sociedade onde as mulheres precisam trabalhar para ajudar no sustento e dar melhores condições para a família.  Os filhos quando pequenos ficam com babás, com a avó ou em creche, mas ao iniciar o ensino fundamental, começa o problema: escola somente em meio período. Um turno na escola e o outro? Em casa ou na rua, convivendo com amigos e pessoas de todas as idades. Nesta fase é comum encontrar crianças de 7 juntos com jovens de 17 anos.

Já a partir de 10 anos, vemos crianças já pré-adolescentes e quase 50% semi-alfabetizadas que não conseguem acompanhar a escola. Com muita liberdade e influencia dos tais “amigos”, começam a ir mal na escola e deixam de frequentá-la. Preferem ficar em grupo com os tais “amigos”, em shoppings, esquinas, praças. Nesta hora vem o convite para provar as novidades, sejam legais ou ilegais.

Com o grande acesso a informação, nossos jovens, especialmente os mais carentes querem ter acesso às coisas bonitas da vida: tênis e roupas de marca, celular e computador do último modelo. Os pais não conseguem comprar nem acompanhar as novidades lançadas pelo mercado a cada dia. Como praticamente não existem no mundo formal condições para um adolescente de 14 anos ganhar dinheiro honestamente, sobra o convite aos pequenos delitos, furtos, desvios, pequenos favores. Neste círculo vicioso chega a vez do traficante que também quer “ganhar” seu dinheiro. O grupo de “amigos” influencia comentando que a droga é muito prazerosa.

A escola sente e acompanha a “perda” de cada um desses alunos a cada ano que passa. O que desanima é que não vemos nenhum governo, municipal, estadual ou federal, pensando em como quebrar esse círculo. A solução passa por rediscutir o modelo social das escola. Precisamos ter escolas do ensino fundamental ao médio em período integral, das 8h às 17h como na maioria dos países em que a educação escolar faz o seu papel e afasta os jovens do submundo. Nesta escola, além das disciplinas obrigatórias ensina-se os fundamentos de profissões importantes, como cozinha, panificação, marcenaria, computação, eletricidade, esportes. Com uma escola nesse modelo, não sobrará tempo para os nossos jovens ficarem na rua com tempo de sobra pensando apenas em como satisfazer seus prazeres momentâneos.

Por Ademar Batista Pereira – presidente do Sindicato
das Escolas Particulares – Sinepe/PR

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