As avaliações educacionais e as razões do baixo resultado brasileiro

Nas avaliações nacionais e internacionais, o Brasil é sempre destaque pelos baixos índices de proficiência que obtêm nossas crianças e jovens. A maioria das análises desses resultados culpa as escolas, o pouco investimento, e o desempenho e formação dos professores. Porém, pouco se fala ou se analisa o verdadeiro agente da aprendizagem, o aluno.

Ao longo do tempo, observamos que apesar de alguns esforços, investimentos e ampliação das discussões e estudos sobre este cenário, não avançamos em quase nada. Precisamos olhar essas avaliações sob novos aspectos.

Os alunos, em sua maioria, não estão acostumados com o formato dessas avaliações – e vejam, não estou falando que devem ser treinados a fazer.

Ocorre que esses exames diferem muito dos padrões aos quais as crianças e jovens estão habituados. Então, poderíamos ter um trabalho nacional por meio do qual possamos submeter nossos estudantes a esse tipo de avaliação em suas rotinas escolares. Nesse sentido, estariam mais familiarizados e teriam resultados melhores.

Observando o comportamento das nossas crianças e jovens – que nada mais são do que o reflexo da nossa sociedade – percebo que eles se aplicam ou se dedicam a algo por algum motivo em especial, seja alguma forma de recompensa ou mesmo um desafio. Notem os resultados do ENADE, o exame de conclusão que os alunos são submetidos após encerrar um curso superior. A maior dificuldade é levar os jovens formandos a fazerem a prova, e, ainda, responderem às questões com seriedade. Nesse caso, esta avaliação poderia ser obrigatória e o jovem formando poderia levar a nota no seu histórico.

Assim, acredito que teríamos uma melhora significativa nos resultados.

Refletindo sobre isso, penso que acabamos ignorando uma realidade cultural na qual as pessoas só se sentem motivadas a se esforçarem por algo que lhes ofereça algum tipo de retorno. Observando outros países, como Finlândia, Estados Unidos e Rússia, as avaliações são classificatórias, portanto, o aluno precisa se esforçar ao máximo pois tem um objetivo pessoal. Por isso, os exames nacionais e internacionais deveriam ser feitos com base nesta premissa, criando instrumentos e mecanismos de recompensa. Poderiam estar vinculados a circunstâncias importantes na vida escolar do aluno, como em provas bimestrais ou trimestrais, em seleções de ingresso nas escolas técnicas, e no caso do Ensino Médio, a avaliação nacional poderia ser utilizada conforme o ENEM, ajudando a pontuar o aluno para uma vaga no Ensino Superior.

Ademar Batista Pereira – Presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares – FENEP

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