A perda da Copa e o amadorismo no Brasil

A seleção brasileira perdeu para a Holanda mesmo com os melhores jogadores do mundo, mesmo sendo respeitada pela qualidade técnica individual dos nossos jogadores, apesar da torcida nacional, em que foi necessário montar um monte de estratégias para que todos os brasileiros pudessem assistir e torcer pela seleção canarinho.

Na minha opinião tratou-se de favas contadas. O Brasil vem perdendo de 10 a zero para os países desenvolvidos em diversos setores, inclusive no futebol. Apesar da tradição e de ter a melhor seleção, somos amadores. A gestão brasileira é amadora, qualquer um pode ser técnico de futebol. Com todo o respeito que o Dunga merece, que experiência como técnico ele tinha para assumir a responsabilidade tão grande de treinar a nossa seleção para uma Copa do Mundo? Evidentemente, a culpa não é só dele, pois foi convidado para um importante cargo e não teve coragem de declinar. Como a maioria dos brasileiros, talvez Dunga tenha acreditado que poderia, com o jeitinho brasileiro, vencer os profissionais.

Vejamos na política: quem elegemos? São raras as pessoas que ocupam cargos públicos, eleitos ou não que tem grandes qualificações. Na maioria das vezes, e especialmente os cargos eletivos, elegemos o mais famoso, o mais bonito, o que fala melhor, porém a experiência, o histórico, a qualificação para a função não damos importância. Se tirarmos o cargo da maioria dos nossos parlamentares, seja a nível federal, estadual ou municipal, eles arrumariam trabalho na iniciativa privada para ganhar o que recebem de salário? Sabemos que são raros os que tem qualificação, experiência ou condições técnicas para arrumar um bom emprego na iniciativa privada. Pegue a maioria dos cargos de confiança dos governos federais, estaduais e municipais e faça a mesma comparação. Sabemos também que na iniciativa privada não dá pra ser amador! Para se manter é preciso ter pegada, profissionalismo e conhecimento já que a concorrência esmaga no primeiro ano qualquer empresa ou profissional sem experiência.

O que não vimos na seleção brasileira, não vemos no comando dos nossos municípios, estados e país. O amadorismo da seleção brasileira em 2010 nos fez sair da Copa do Mundo enquanto o amadorismo na gestão pública atrapalha nosso crescimento, diminui a nossa competitividade e também nos traz a sensação de perdedores – mesmo com tanta torcida, mesmo com tanta paixão. Se não somos questionados na decisão do técnico da seleção, temos em mãos a oportunidade de eleger os nossos profissionais para nos representar publicamente. Temos eleições nos próximos meses e precisamos, então, mostrar que queremos profissionalismo, transparência, ética e respeito aos brasileiros.

Ademar Batista Pereira – Presidente do Sinepe/PR.

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