Aonde vai o nosso dinheiro?

No mundo moderno e com a vida concentrada nos centros urbanos a reclamação que mais escutamos das pessoas é que o dinheiro nunca dá, sempre é pouco, nunca é suficiente. É verdade que o salário médio brasileiro é baixo e tendemos a colocar a culpa na ganância dos empresários, mas gostaria de colocar sob outra perspectiva.

Em primeiro lugar, o dinheiro nunca será suficiente para a quantidade de coisas que tem para comprar e tendemos a querer comprar cada vez mais. Sempre temos diversas justificativas para comprar, como por exemplo: é bonito, fica bom em mim, preciso dar presente para mãe, pai, irmão, marido, namorado, filho, etc. E o mais comum: eu mereço isso, afinal trabalho tanto.

Deveríamos nos fazer duas perguntas básicas antes de efetuar qualquer compra: Preciso disso? Tenho dinheiro para comprar isso? Se pelo menos uma resposta for não, é importante não efetuar a compra. O fato é que acabamos comprando algo que não precisamos, e invariavelmente com um dinheiro que não temos, ou seja, gastamos antes de ganhar ou receber e quando chega o nosso salário, é tão pouco para dar conta das nossas necessidades. Nessa perspectiva, também é muito importante analisar em grandes contas como está dividido o nosso salário:

Vamos tomar como base um salário de R$ 2.000,00, salário bruto ou nominal. Com esse valor bruto, na verdade recebemos R$1.800,00 descontando 10% para o INSS. Para a empresa este funcionário custa R$ 3.800,00, considerando o cálculo básico dos custos que as empresas utilizam, mais 90% de custos diretos e indiretos sobre a folha. Dos R$ 1.800,00 que recebemos, precisamos descontar 40%o de impostos sobre o que consumimos, com luz, água, alimentação, etc. Sobra R$ 1.080,00 para realmente consumirmos com produtos e serviços.

Considerando que sempre compramos antes de termos o dinheiro, temos que considerar neste valor que “sobrou” os juros que pagamos, pois como disse no início, normalmente gastamos mais do que ganhamos. Considerando que os economistas calculam que o brasileiro gasta 30% do salário com juros, ou seja, cerca de R$600,00 para o salário que usamos como base. Portanto, sobra menos de 25% para consumir produtos e serviços do que recebemos de salário.

Essa análise é tão direta que parece inacreditável, mas as pessoas tendem a pensar que não pagam os impostos ou juros, porém eles estão embutidos em tudo o que consumimos, inclusive na conta de luz. Talvez você não tenha se dado conta, mas este deve ser um dos vários motivos dos protestos que estão ocorrendo pelo país. Afinal, devemos questionar onde e como o governo gasta o nosso dinheiro. Mas o meu objetivo não é apenas colocar a culpa no modelo, apesar de defender que esse seja o grande problema brasileiro. Meu objetivo é levar as pessoas a fazerem uma reflexão antes de colocar a culpa no empresário que pode ser tão vítima quanto ele, enquanto funcionário, ou apenas no governo. Podemos fazer algumas coisas para melhorar esta situação:

1) fazer um controle rigoroso dos custos de sobrevivência, como conta de luz, água, alimentação, etc.

2) não comprar nada em parcelas, ou seja comprar somente com dinheiro.

3) não ter cartão de crédito,

4) sempre guardar o dinheiro para comprar,

5) responder as duas perguntas básicas antes de efetuar qualquer compra: Posso viver sem isso? O dinheiro que vou gastar pode fazer falta para outra coisa?

Ademar Batista Pereira – articulista do site www.esominhaopiniao.com.br; diretor de planejamento do Sinepe/PR; presidente da FepeSul; diretor da Escola Atuação.

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One Response to Aonde vai o nosso dinheiro?

  1. Denise Braga says:

    Gostei muito do texto, pois vivemos um momento de consumo exacerbado e também por não termos o retorno dos nossos imposto, porém acho o uso do cartão de crédito não é um aspecto negativo. O cartão se for usado de maneira correta, como: pagando a fatura em dia e na totalidade , e também não pagando anuidade, o que hoje em dia é negociável com a administradora, é um excelente recurso, pois pode-se juntar milhas para viagens. Eu e meu marido já fizemos diversas viagens com milhas e as últimas duas viagens fomos com passagens e hotel pagos com milhas. O cartão de crédito desde que seja bem usado pode trazer muitos benefícios

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